quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Poe/Pessoa

"Eu nunca fui desde a infância jamais semelhante aos outros. Nunca vi as coisas como os outros as viam. Nunca logrei apaziguar minhas paixões na fonte comum. Nunca tampouco extrair dela os meus sofrimentos. Nunca pude em conjunto com os outros despertar o meu peito para doces alegrias, E quando eu amei o fiz sempre sozinho. Por isso, na aurora da minha vida borrascosa evoquei como fonte de todo o bem o todo o mal. O mistério que envolve, ainda e sempre, Por todos os lados, o meu cruel destino..." - Edgar Allan Poe "Sei que nunca terei o que procuro E que nem sei buscar o que desejo, Mas busco, insciente, no silêncio escuro E pasmo do que sei que não almejo." - Fernando Pessoa

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

FESTVM FATUORVM

"A consciência homossexual inclui o conhecimento de saber-se membro de um grupo social particular. Este assumiu a forma de filiação a uma espécie de sociedade secreta, ou de participação de uma raça maldita, ou ainda de pertencer a um bloco da humanidade privilegiado e perseguido. [...] nos tempos modernos os homossexuais masculinos constituem um comunidade que se entra por revelação e iniciação. No ensaio de Paul Robinson, um professor leva o aluno a reconhecer a própria homossexualidade. O aluno lhe diz que apaixonara-se pelo companheiro de quarto e sofrera uma grave desilusão. O professor explica que errou ao procurar imediatamente o amor. De fato, no mundo gay, o sexo vem antes". Foucault "Há alguns espíritos audaciosos que se lançaram nessa região inacessível [alma] e retornaram cegos, com vertigens e que contam coisas tão estranhas que os outros tomam por alucinações" (Ribot, 1870). "O mal não é criado por nós ou por outros, nasce nesse tecido que tecemos entre nós e que nos sufoca". Merleau-Ponty “Num deserto de almas tbm desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra". C.F. Abreu

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A fenix vive?

Imagino que tu imaginas um dia, que não deve estar longe, quando terá forças para largar tudo... Jogar tudo num pacote e se livrar do peso que lhes representam estas coisas... Talvez embarcará para a França ou Inglaterra, ou ainda na pior das hipóteses para os Estados Unidos ou Canadá. Quem sabe.
Sinto um senso de desprendimentos enorme em você... Sinto isso. Não sei. Não consigo ter segurança nenhuma contigo. Abandonei meus sonhos, e por isso me sinto traído. Também não quero te prender, e sinto que faço isso. É assim. Acho que tu também se ilude. A felicidade esta onde estamos, não pode estar além. É como esperar o início do ano para começar a fazer um regime. Quando ele chega dura alguns dias e no ano seguinte voltará a se enganar assim. É ridículo imaginar a felicidade além do espaço onde estamos. O turismo se tornou um constante ciclo atrás do mesmo. Foge-se do espaço habitado, em busca de algo especial, mas no fundo tudo esta homogeneizado... Todos os lugares são os mesmos! Por mais diferentes que se manifestem. Também me iludo sei disso. Talves por isso estamos no caminho certo. Nos alienamos conscientemente... Se é que isso é possível. Conceitualmente é claro. Porque na prática estamos todos no mesmo barco. Ou posso imaginar que por ter conhecimento do marxismo adjetivdo de alguma coisa, sou um além-homem, mesmo que por Nietzsche... Ou qualquer outro babaca morto e sepultado. Porque ressucitamos defuntos?

A grande verdade é que te amo! Não sei porque!? Queria muito saber... Não perco a chance de tentar provar o contrário para mim mesmo. Aproveito qualquer brecha... Qualquer fenda. Qualquer qualquer coisa... Fico te ferindo para provar para mim mesmo que existe alguém que me ama. Para provar que apesar de tudo as coisas acontecem... Que existe algo além da física da existência... Algo que Demostenes classificava como as forças que uniam todas as coisas: o amor e que repelia todas elas: o ódio. A dialética Amor e Ódio. Que simplismo vão! O que seria tudo isso?

A única coisa que posso afirmar é que te amo!

Será que mais uma vez a fenix se erguerá?

George Orwell

Tambem estou enlouquecendo sem voce! nao quero nunca mais sair de perto!!!

Que engracado, eu estou lendo um livro autobiográfico do George Orwell e é tao essa fase! Nos estamos conectados amor.


Te amo, te amo, te amo!!! Feliz aniversárioe só falta uma noite!

muitos, muitos, infinitos beijos

(aqui nao tem acentos)

Cronologias dispesas

Amor,
Eu te amo e a ultima coisa que eu quero e te acusar, mas você sabe como voce mesmo e e sabe que se eu deixar você me suga e me esmaga. Eu te amo e quero ficar com você, mas você precisa estar comigo por completo. Eu entendo o que você sente, mas você não pode mais se separara de mim, fingir que tudo isso e de mentira e depois voltar como se nada tivesse acontecido. Nos somos adultos e escolhemos estar juntos, sempre, não só quando e conveniente. Você não precisa me explicar nada, mas por favor me deixa te abraçar e não seja tão arrogante a ponto de deixar que eu me afaste de você. Eu so estou te pedindo para fazer o esforço de se deixar ser amado, não só me amar como uma coisa separada de você. Eu não sou um bebe, por mais que você queira, eu sou uma mulher e e assim que você precisa me ver.
Eu te amo muito, mais do que eu acho que você imagina.

Cartas de amor!? Literatura barata?

Acho então que o melhor jeito de começar isso é dizer que te amo... que te amo muito, um amor maior que eu e que tudo que eu conhecia antes. E que eu falo sempre o quanto sinto tua falta pelo mesmo motivo que nós dizemos eu te amo o tempo todo. Dizer, torna concreto. Dizer algo é dar aquilo a outra pessoa, é sentir com ela e não sozinho. E, eu não sei, eu gosto de tornar as coisas importantes concretas.
Eu não sou boa em escolher palavras, eu nunca fui. Eu não sou boa em medir ações, apesar de fazer isso o tempo todo. É em parte por isso que eu não consigo esconder quando fico chateada, mesmo quando eu mesma sei que meus motivos são bobos. Mas eu sou tão profundamente espontânea, e de certa maneira é isso que você gosta em mim.
Eu tenho que confessar que eu senti dores incrivelmente intensas depois que te conheci. Que eu sofri muito. Mas sou capaz de entender esse sofrimento como um outro lado da moeda. Mas da mesma moeda. Você não seria capaz de me fazer tão feliz se não fosse capaz de me fazer sofrer tanto, eu entendo isso e aceito. Cada vez que eu te digo que algo me machucou é mais pela minha incapacidade de carregar sozinha, do que por querer apontar um erro seu.
Amar alguém é dar a essa pessoa toda a capacidade de te machucar. E confiar ingenuamente que ela não vai fazer isso... e ela normalmente faz.
Mas eu aceitei esse sofrimento, como aceito toda a felicidade que você me traz (e ela é, lógico, muito mais freqüente).
Você não ouve promessas, porque eu não faço. Eu não gosto delas. Fazer promessas me soa como uma tentativa desesperada de dar a coisa uma dimensão que ela realmente não tem. Eu nunca disse que te amo para sempre e me incomodo muito com pessoas que dizem “para sempre” o tempo todo. Não é que eu não queira te amar para sempre, eu adoraria. Mas eu me sinto querendo controlar algo completamente além do meu controle. E eu já me machuquei mais com falsas promessas, então evito fazê-las (não que elas sejam falsas na intenção, mas por causa da sua impossibilidade).
Eu entrei nos seus problemas de livre e espontânea vontade. Eu os aceitei quando insisti, aquele dia no MASP, para gente tentar. Eu quero dividi-los com você e quero te ajudar a carregar todo o peso. Porque eu te amo, e não te amaria se só quisesse a parte de você que é leve e boa e feliz. Não se ama alguém pela metade. Eu tenho que te amar pelo que você é, e isso é você. Como uma série de coisas que você detesta sou eu, mas inevitavelmente você tem que aceita-las quando me aceita. Mesmo o fato de renegarmos alguma coisa torna essa coisa determinante...
E em parte, eu entrei porque me parecia tão escuro. Porque me parecia denso e difícil. Porque eu senti que de alguma maneira eu poderia ser boa para você. Você é tão pesado (e isso não é de modo algum necessariamente ruim) e eu sou tão extremamente leve (o que também não é bom), e tudo parecia tão difícil para você enquanto eu simplesmente era capaz de sorrir para velhinhos na rua, só por sorrir. Eu achei que talvez eu fosse exatamente o que você precisava.
E achei que você poderia me amar verdadeiramente em algum momento...
Acho que eu previ relativamente bem as coisas.
Eu sei que sou fria, e faz muito sentido para mim quando você fala que a minha luz é gélida. A verdade, é que eu sou extremamente machucada. E tenho a tendência de congelar onde me machucam. Eu me tornei distante porque assim as pessoas não me atingem. Mas você sabe que essa não sou eu... e nunca foi quem eu quis ser com você. Desde o início eu estive completamente aberta, e disposta a aceitar tudo de você. Por mais que doesse.
Você sabe então o quanto eu sou frágil. E o quanto a gente chegar onde chegou custou muito a essa minha fragilidade. E seria mentira dizer que eu me tornei mais forte... ao contrário, eu usei todas as minhas forças em um determinado momento e me tornei mais fraca. Daí os constantes “colapsos” atualmente. Eu preciso de um tempo ainda, para ter de volta as forças que eu gastei tentando te manter comigo.
Me doeu muito quando você disse sentir que as coisas pareciam unilaterais. Eu nunca quis te cobrar, nem esperei que você fizesse tudo. Mas você tem que entender que, por motivos que vão além de nós dois, eu cheguei muito perto do meu limite esses tempos. E sei o quanto isso é errado, mas em parte eu me segurei em você... me desculpe.
Você faz o mesmo que eu, e está completamente certo quando diz que pode soar arrogante. Isso já me incomodou muito, muito mesmo. Eu sentia que você se achava superior a mim e a qualquer um que convivesse comigo. Eu te sentia me julgar... e eu já sou tão julgada o tempo todo.
Eu sei que você não faz de propósito, e tenho me esforçado ao máximo para relevar isso. Já não me incomoda tanto... Mas eu ainda gostaria que você pudesse se desarmar mais, pelo menos comigo (mas talvez seja isso que você tenha feito, escrevendo para mim)
Eu não queria que você se segurasse perto de mim. Se tem algo que você deveria aprender comigo, é isso. Que você não é inferior porque cede, e não tem que se segurar o tempo todo. Você é tão orgulhoso as vezes... Não quero dizer que eu não me segurar seja bom, de jeito nenhum, eu detesto isso boa parte das vezes. Mas você faz quando é desnecessário. Não tem sentido eu estar do seu lado, e segurar sua mão se você não vai nunca me mostrar quando se sentir fraco... eu não quero que você agüente tudo, porque se você consegue eu sei que é uma mentira.
É claro que não é ilusão o que vivemos. Quando dói, quando nos sentimos felizes, quando temos prazer ou medo é tudo perfeitamente real para a gente. E eu não acho que importe mais...
Quanto ao futuro, eu não posso te alertar sobre ele, se eu mesma não sei. Eu não gosto do futuro... tudo que ele sempre fez foi frustrar meus planos e me machucar, sempre. Então eu o evito. Ele é muito além do nosso controle, de qualquer jeito... O que nós temos é agora, e talvez se a gente se ocupasse desse agora o futuro se costura naturalmente.
Mas você não tem que ter medo... não de mim, não de nós. Eu não vou embora, não assim. Eu não vou acordar de um dia para o outro e ir. Ou desistir por causa de um dia ruim. Você vai saber se um dia eu estiver prestes a ir... você vai sentir que é hora também. Eu não gosto de matar as coisas, prefiro esperar que elas morram naturalmente, se tiverem que morrer.
E o nome completo... eu faço brincadeiras com ele porque meu próprio nome não me diz nada. Eu sou a xxx para quase todo mundo... uma anjinha para você, a xxx para a Sxxx. É aí que eu me enxergo, é nesses nomes que eu me construi e estou. Não nas letras da carteira de identidade.
Quando eu digo que você é pesado e eu sou leve, em parte tem a ver com isso. Você tem raízes, e os pés firmes no chão. Eu não tenho pés em lugar nenhum. Eu vivi a vida toda em xxx sabendo que ia chegar o dia de ir embora, eu vivi na perspectiva de deixar aquilo. Eu me firmo nas pessoas, não nos lugares. Eu não tenho raízes, eu sou extremamente volátil.
E eu nunca vi o caipira que você diz... eu vi o quanto você era interessante e me fazia rir. E o quanto eu gostava do seu beijo. Eu vi você ser tão maior do que eu e conseguir me envolver completamente quando me abraça. E eu gostava da idéia de ser o inesperado... de bagunçar as coisas, de mudá-las. Eu sou vaidosa nesse ponto, eu gosto de sentir que eu fiz meu lugar na vida das pessoas. E como eu já disse, você parecia precisar de mim... Eu não temi te assustar, eu gostei da perspectiva. Você me conhece suficiente agora para saber que se você se assustasse, ou se cedesse a esse medo, talvez fosse um sinal de que não daria certo.
Eu não sei... enquanto pensei nisso, me veio a cabeça mil porquês, mas agora não sei coloca-los em palavra. É meu grande defeito... minha cabeça não se deixa domar, não se materializa, seja em palavras, filmes ou quadros.
Eu nunca soube dizer tudo isso para você... ainda acho que não disse. Talvez o essencial seja apenas “Eu te amo”, não sei. Mas eu gostei de tentar...
E quando você diz “apenas te amo”, parece que é pouco, mas não é. Amar é muito, muito difícil.

Bitch

Numa terra distante, próxima aos compos elísios, viviam, quase praticamente que juntos, uma pequena flor de girassol e um gigante. Viviam numa espécie de harmonia induzida. Chovia muito na região, uma chuva que os provinha de tudo, vinda do vale lindeiro. Chuva de nome D'vora. Depois de um tempo a chuva intensificou-se muito. O que poderia ser um problema foi brevemente resolvido com a construção de uma abrigo mais forte. Porém, ventos das longuiquas minas começaram a brandir. O gigante para manter o abrigo, afastado de sua terra natal, precisou por-se a labutar. Não conseguia mais cuidar com esmero da pobre florzinha. Enquanto o tempo passava, ela ia murchando, murchando, e as pétalas caindo, lentamente. Um dia, após uma leve tranquilidade, vento sobrou tão forte, que levou o gigante e o abrigo mas a florzinha, ficou, graças as suas firmes raízes. Um gralha passou a vizitá-la com frequência. Sabemos o que gralhas significam não é?

Bem, resumindo a história, há pessoas que se dizem bitch, mas que na verdade a são apenas em teoria. Os parasitas constituem-se em sugar seus hospedeiros. Digamos, que o parasita se auto-rotule de bitch. Quando há uma relação vazia, quando a prole liga-se ao progenitor apenas por interesses, podemos chamá-la de bitch. É isso que a bela florzinha era na verdade. Quando a prole é incapaz de desenvolver o amor filial, e mesmo assim liga-se a origem de seu mundo, ela não passa de uma bitch, ou um rat fedelho. Certo? Que filho não amaria seus pais? Não descarto esta possibilidade, mas creio que ela é remota, ao menos numa determinada classe social que ela não passa de uma razão puramente mercadológica. Prole reificada. Seria este o caso? Se sim, ainda mais neste caso, Adorno estaria certo, e mesmo assim insistiria ela em fazer a análise da "arte" do movimento. Bobagem. Não é possível, ouviríamos apenas um eco distante, que distoa do ambiente. Sei que o que estou fazendo é "feio", mas necessário. Não podemos deixar que determinadas ocasiões nos limitem. Quando captamos o funcionamento cognitivo de um ser, podemos lentamente conduzí-lo a vontade derradeira. Vontade de potência. O gigante está tão distante da pobre florzinha, que mal pode observá-la com decência. O que enxerga são apenas formas distorcidas. Se o vento do vale soubesse das intenções de quem derrama loucamente suas energias... Alguns momentos da vida das metáforas são tão patéticos. O importante é escrever, não importa se a compreensão será plenamente satisfeita.